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Do batuque aos beats, se liga no som eletrônico que vem da África

Claudia Assef

05/07/2018 17h49

Um dos pontos altos da programação do festival Sónar este ano – se você não sabe do que estou falando, clica aqui pra ler a cobertura – foram os beats envolventes de DJs e produtores africanos. Um dos responsáveis por ter levado o som dançante africano para o festival espanhol foi o americano Diplo, que assinou o showcase Diplo Presents at Sónar Dia, com alguns nomes quentíssimos do continente africano, como a incrível DJ Kampire, do Uganda, que incendiou a famosa área do Sónar forrada por grama sintética, o Village, além do duo sul-africano Distruction Boyz e do MC nigeriano Mr. Eazi. O próprio Diplo também tocou no Village e mostrou que, depois de ter engolido o som dos morros brasileiros (ele foi um dos responsáveis por levar o funk carioca pra gringa), ele agora anda morrendo de amores pelos afrobeats.

DJ Kampire @ Sónar 2018

O showcase de Diplo no Sónar é apenas uma agulha no palheiro da afrohouse. No próprio Village, vi a sensação sul-africana Black Coffee mostrar por que é disputado por 10 entre 10 festivais de música eletrônica pelo mundo. O som dele é tão elegante quando sexy. É rebolativo e te faz descer até o chão, mas nunca apela para hits vulgares. Black Coffee é o furacão rebolator africano que você precisa conhecer já.

Por essas coincidências da vida, estive com Nkosinathi Innocent Maphumulo, seu nome real, em 2003, durante a Red Bull Music Academy. Ele foi, naquele ano, um dos dois sul-africanos escolhidos para participar do evento anual que é o sonho de consumo de produtores de música eletrônica do mundo todo. E eu estava lá a convite da marca e acompanhava a brasileira Eli Iwasa, também participante da academia. Revendo as fotos da época, lembro da carinha simpática, se bobear devo ter voltado pra São Paulo com algum CD-R dele – lembro que ganhei registros de vários participantes.

Black Coffee borrifando sua house music rebolativa e elegante no Sónar 2018

Também voltei lotada de CDs de kwaito, a música eletrônica sul-africana que bombava na época. Era um som mais bombado do que o se chama hoje de gqom ou afrohouse, mas, desde aquela época, me interessei demais e entendi que, sim, tudo começou na África, como diria aquela música dos Chemical Brothers. Te deixo aqui com uma pulga atrás da orelha, um set do Black Coffee no Boiler Room, mas se aceita uma dica, dá uma aprofundada nessa pequisa de kwaito/gqom/afrohouse que você não vai se arrepender.

Black Coffeee no Boiler Room

Sobre a autora

Claudia Assef é uma das mais respeitadas especialistas em música do país. É publisher do site “Music Non Stop” e ao lado de Monique Dardenne fundou o “Women's Music Event”, plataforma de conteúdo e eventos que visa aumentar o protagonismo da mulher na indústria da música.

Sobre o blog

Um espaço para falar sobre descobertas musicais, novidades, velharias revisitadas, tendências e o que está rolando na música urbana contemporânea, seja na noite ou nas plataformas de streaming mais próximas de você.