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Festival Sónar atrai público recorde de 126 mil pessoas, entenda esse hit

Claudia Assef

18/06/2018 16h05

O festival Sónar, que encerrou suas atividades de 2018 com uma afterparty oficial na manhã do último domingo (17), não é terreno para fracos. Além de ser uma maratona para o corpo (as atividades começam às 13h e só terminam no dia seguinte às 7h!), há uma demanda gigante também para o cérebro! É tanta coisa para ver, aprender e, principalmente, para praticar o desapego e perder (esquece, não tem jeito de ver tudo o que você planejou), que, no final dos três dias e duas noites de festival, o corpo pede UTI, mas a mente fica passando os melhores momentos num looping eterno, que, apesar de qualquer cansaço, funciona como um botão quebrado de desligar.

Um mar de gente procurando um lugar para ver Laurent Garnier no Sónar 2018

Este ano foram 126 mil pessoas vindas de 119 países diferentes (o que se ouve de português pelo festival não tá no gibi) entre participantes do Sónar Dia e Sónar Noite, além do Sónar +D, a feira de criatividade e tecnologia que acontece junto com o festival.

Foi recorde total de público e não poderia ser diferente. A programação foi certamente uma das mais caprichadas desses 25 anos. Tinha atrações para todos os gostos. De artistas pop como Gorillaz, Diplo e Thom Yorke a novos e quentíssimos nomes do underground, com uma relevância muito interessante para artistas africanos e também para as mulheres, o Sónar 2018 pode encher o peito e falar em diversidade, porque teve, viu.

O primeiro show do Gorillaz a gente não esquece

No total, foram 150 apresentações distribuídas nos 10 palcos do festival (6 no Sónar Dia e 4 no Sónar Noite), além de 230 atividades e projetos no Sónar +D. Sendo este um mar premium de informação para quem gosta da tal música avançada, sobre a qual falei aqui na semana passada, fica quase impossível bater exatamente as mesmas agendas de atividades com seus amigos. Portanto o plano é sempre fazer o seu próprio mapa de atrações e ver o que dá match com a sua turma. Lembrando sempre que se separar será preciso, pois na hora do vamos ver as listas vão pro beleléu e você vai no flow do que faz seu coração bater mais forte.

Compartilho aqui um top 5 dos artistas que me pegaram de jeito, sem necessariamente seguir uma ordem de importância.

1) Yaeji

A americana Yaeji já tinha me emocionado com seu Boiler Room gravado em Nova York e com o hit chiclete Raingurl, de 2017, mas vê-la ao vivo são outros 500. Primeiro porque ela desbanca qualquer pretensão ou estereótipo do lifestyle DJ, chega pra tocar com um look totalmente deslocado de qualquer onda ou modismo. Já na segunda música, ela pegou o microfone e mostrou por que conseguiu se diferenciar na multidão. A moça tem 24 anos e muito talento para virar um nome gigante!

2) Cornelius

Cornelius é um véio de guerra que tem uma longa história nas prateleiras da música avançada. Vale inclusive ficar de olho em seus CDs que foram lançados no Brasil pela saudosa Trama. Nunca tinha visto ao vivo e me apaixonei por tudo. Uma mistura de Yoko Ono com Talking Heads puxada no molho da finesse. Maravilhoso.

3) Laurel Halo 

A americana Laurel Halo é querida pelos technoheads, mas o que ela faz ao vivo é muito mais do que soltar beats para dançar. Com voz doce e um set up elegante, que traz um baterista minimalista, além da própria parafernália eletrônica dela, Laurel apresentou um live envolvente, inspirado e quente no gélido teatro Sónar Complex, composto principalmente por músicas de seu disco mais novo, Dust, de 2017. Não conhece? Vai por mim…

4) Despacio – James Muprhy e 2 Many DJs

Ah, quem não gosta de uma dançante caixa preta com som extraordinário e uma disco ball gigantesca e reluzente, hein? O Despacio, projeto de boate itinerante criado por James Murphy e pela dupla 2 Many DJs, propõe levar os dançarinos a uma experiência imersiva de disco music, funk e outras velharias, tocadas pelos próprios inventores, mas sem que o público possa vê-los. Ou seja, tira-se assim a importância dos DJs e entram vários kits de alto falantes incríveis como protagonistas do pedaço. Que experiência, brothers and sisters!

5) Black Coffee

Escolhi o sul-africano Black Coffee para estar nesta lista porque representa, além da importância de sua bombástica carreira, toda uma gama de artistas africanos que foram colocados em destaque no Sónar 2018. Black Coffee vive um momento incrível da carreira, com seu nome visto em festivais e festas pelo mundo. Como foi inesquecível vê-lo tocando para um público em sua maioria branco no Village este ano. Fiquei pensando que seria muito mais legal se houvesse mais negros na plateia, movimento este que, espero, o Sónar consiga mudar com a inclusão de cada vez mais artistas negros no line.

Se você ficou animado com este relato, o Sónar já disponibilizou a partir desta segunda-feira seus ingressos para o festival em 2019, que excepcionalmente vai acontecer em julho (dias 18, 19 e 20). Se quiser viver uma experiência Sónar antes disso, eis as datas dos próximos eventos pelo mundo: 16 de novembro em Buenos Aires, 17 de novembro em Bogotá, 8 e 9 de março de 2019 em Istambul, 13 de abril em Hong Kong e 25, 26 e 27 de abril em Reykjavík. Se quiser me convidar não se acanhe rs.

Sobre a autora

Claudia Assef é uma das mais respeitadas especialistas em música do país. É publisher do site “Music Non Stop” e ao lado de Monique Dardenne fundou o “Women's Music Event”, plataforma de conteúdo e eventos que visa aumentar o protagonismo da mulher na indústria da música.

Sobre o blog

Um espaço para falar sobre descobertas musicais, novidades, velharias revisitadas, tendências e o que está rolando na música urbana contemporânea, seja na noite ou nas plataformas de streaming mais próximas de você.