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Festa criada por Mahal Pita e Dalasam celebra a Bahia com MC Tha e Edgar

Claudia Assef

28/06/2019 17h52

São Paulo é uma babel que abriga gente de tudo que é canto do planeta. Quase metade da população que vive na cidade não nasceu nela. Receber gente de fora é uma das características dessa metrópole gigantona e desengonçada, conhecida como detentora da maior população de japoneses fora do Japão, por exemplo, além de ter a maior população de baianos fora da Bahia.

Em julho, uma festa nasce com o espírito voltado para a celebração dessa ancestralidade baiana que habita em São Paulo, através de netos e filhos de migrantes.

A Mahalpita Konvida nasceu da vontade de um desses baianos residentes em São Paulo, Mahal Pita, produtor musical e ex-integrante do Baiana System, de resgatar as culturas de resistência e de liberdade de Salvador, através de sua pesquisa de samba-reggae e de um rol de convidados de responsa. No line-up desta primeira edição, que acontece no domingo 7 de julho na Vitrine da Dança (Centro Cultural Olido) e se estende pela rua Dom José de Barros, tem, além do próprio Mahal, MC Tha, Edgar e Rico Dalasam.

Rico Dalasam, cocriador da Mahalpita Konvida

"A festa vai ser um lugar para celebrar as culturas de resistência e de liberdade de Salvador e como isso vai se desdobrando pros filhos e netos perdidos por aqui. Por isso faz muito sentido começar por São Paulo", diz Mahal. "Eu hoje como residente em São Paulo tenho um desejo de reunir netos, filhos de baianos, essa linhagem que foi se pulverizando no Brasil. É a tentativa de entender em 2019 o que seria essa organização, que outrora existia em Salvador, fazendo um paralelo de África e Jamaica", explica.

O músico e produtor Mahal Pita, criador da festa que celebra Salvador

Mahalpita Konvida é mais que uma  festa, ele conta. "Veio da produção de um disco, mas também tenta entender essa geografia dos baianos espalhados pelo Brasil e traz a minha pesquisa de samba-reggae, que não se limita só ao som".

Ele acredita que a nova festa irá fazer uma interseção entre muitas galeras. "Salvador já é uma intersecção da África, eu aqui em São Paulo já sou um corpo estranho. Percebendo o cenário das festas em São Paulo, quis criar um lugar de fronteira, uma encruzilhada. Vamos trazer o universo da Jamaica, da África, de Salvador e de São Paulo. A ideia é lidar com essas diferenças", Mahal contextualiza.

Ao seu lado, produzindo a festa, está Rico Dalasam, parceiro de Mahal em discussões no dia a dia e em produções musicais. "Ele tá no rap, mas não é um rapper. Está dentro de um entendimento de gênero, mas não é só isso. Ele me convidou pra produzir o disco mais recente dele. E eu o convidei  pra fazer essa movimentação em torno da festa", explica Mahal.

ACEITE-SE

Para Dalasam, o encontro com Mahal deu novo significado a vários temas referente à sua própria ancestralidade. "Minha mãe é baiana. Isso de algum jeito explica algumas agonias. A primeira música que eu decidi lançar passava por uma lógica de samba-reggae e cruzou com batidas de rap e pop. E daí nasceu Aceite-se", lembra Dalasam.

MC Tha, atração da primeira edição

"Essa festa, que é um dos tentáculos de uma construção, que envolve disco e outros meios de arte, ela sintetiza esse primeiro balanço da minha entrada na arte. É celebrativo. Quatro anos de Aceite-se, que sampleou samba-reggae, é o celebrar disso", ele conclui.

A festa nasce tendo como base a Vitrine da Dança, na Olido, mas tem intenção de ser itinerante. Os convidados também têm a Bahia no DNA. "Conversando com a Tha, descobri várias coisas sobre a minha própria ancestralidade baiana", diz Dalasam.

"O Rico, por exemplo, não sabia até outro dia informações da mãe dele. Se não existir um território onde essas informações sejam provocadas, isso se perde. Contei pra ele a historia da Revolta dos Malês pro Edgar, e isso já remeteu a ele outras lembranças. Esses convidados são pessoas que podem destravar alguma coisa em termos de ancestralidade baiana", diz Mahal.

O Novíssimo Edgar

Então seja pela Bahia, pelo samba-reggae, pelo Rico, pela Tha, pelo Edgar ou pelo Mahal, aceite o convite de Mahalpita Konvida e venha pra rua dia 7 de julho. 

Mahalpita Konvida ed. 1 

///O NOVÍSSIMO EDGAR
///MC THA
///RICO DALASAM

DOMINGO 7 de julho, 15H
Centro Cultural Olido
Av. Sao Joao 473, Centro
Grátis

Sobre a autora

Claudia Assef é uma das mais respeitadas especialistas em música do país. É publisher do site “Music Non Stop” e ao lado de Monique Dardenne fundou o “Women's Music Event”, plataforma de conteúdo e eventos que visa aumentar o protagonismo da mulher na indústria da música.

Sobre o blog

Um espaço para falar sobre descobertas musicais, novidades, velharias revisitadas, tendências e o que está rolando na música urbana contemporânea, seja na noite ou nas plataformas de streaming mais próximas de você.