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Venda de fitas k-7 cresce quase 100% na Inglaterra em 2019. E no Brasil?

Claudia Assef

30/07/2019 16h57

Eu sou a típica nerd de música que cresceu nos anos 80 obcecada por encontrar lançamentos nos formatos vinil e, quando estava sem grana, fita. Era essa a nota de corte pra mim; quando não tinha grana suficiente para comprar o disco, a fita era um bom quebra-galho.

O formato físico já não faz a cabeça da maioria, é claro, e o mercado da música tem dado graças a deus pelo advento do streaming pago. Mas ainda há seres humanos como eu, que apreciam botar aquele disco debaixo do braço e ficar namorando a capa, o encarte e até… cheirando a bolacha, eu confesso.

Ainda bem que o que não falta é gente apegada a esses formatos. Em tempos de escalada das plataformas de streaming, uma notícia me chamou a atenção. Na Inglaterra, sempre um mercado ponta-de-lança quando o assunto é a indústria da música, o formato fita cassete cresceu 94% nos primeiros seis meses do ano, representando mais de 35.000 unidades vendidas! Um número gigantesco para um formato que está mais ligado ao universo de Strager Things do que de apps como o Shazam, né?

Você pode até pensar que quem está comprando fitas é gente saudosista que não quer deixar de ter o último lançamento da sua banda preferida dos anos 80 neste formato, mas não… O primeiro lugar em vendas de k-7 na Inglaterra no primeiro semestre de 2019 foi o disco When We Fall Asleep, Where Do We Go?, estreia da cantora americana Billie Eilish, de 17 anos.

No início de 2016, a notícia de que o Flapc4, um estúdio de gravação em São Paulo, ia começar a duplicar fitas K-7 deixou nerds de música de Norte a Sul do Brasil atiçados. Será que estaríamos preparados para a volta das fitinhas? Pouco mais de dois anos e 2.500 unidades depois, incluindo edições de K-7 para artistas tão diferentes quanto Luan Santana, Arthur Joly e Tássia Reis, o Flapc4 passou o bastão, ou melhor, as duplicadoras que havia comprado para a Polysom, fábrica de vinis reativada em 2009 e que vem crescendo a cada ano, assim como o mercado de vinil, no Brasil e no mundo.

João Augusto, da Polysom, avalia que o mercado cresce com constância no Brasil

Eis que a Polysom, com sua dupla de consultores João Augusto e Rafael Ramos à frente, vem desenhando uma história interessante na reativação do mercado de fitinhas no Brasil. Nada comparado ao estouro da Inglaterra, mas por aqui também os números mostram um crescimento constante, ainda que lento. "O formato vem sendo cultuado novamente mundo afora. Agora mesmo, estivemos numa das lojas Rough Trade, de Londres, e já há um setor, ainda que pequeno, exclusivo para cassetes. E é interessante ver que alguns artistas já fazem lá o que estamos fazendo com a Pitty no Brasil: lançar todo o seu catálogo em cassetes de cores diferentes. A Björk fez isso, e a coleção é linda", diz João Augusto.

Rafa Ramos complementa o raciocínio de João. "Praticamente tudo que faz esgota: Elza, Pitty, novo do Dead Fish. Tudo já está na segunda ou terceira prensagem", ele conta. Desde o início de 2018, foram lançados 18 títulos licenciados, além de 4 que ainda serão lançados em agosto, totalizando 22. Além desses, foram 30 títulos duplicados sob encomenda de terceiros. Total de unidades duplicadas até junho de 2019 é de 5.353.

 

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Claudia Assef é uma das mais respeitadas especialistas em música do país. É publisher do site “Music Non Stop” e ao lado de Monique Dardenne fundou o “Women's Music Event”, plataforma de conteúdo e eventos que visa aumentar o protagonismo da mulher na indústria da música.

Sobre o blog

Um espaço para falar sobre descobertas musicais, novidades, velharias revisitadas, tendências e o que está rolando na música urbana contemporânea, seja na noite ou nas plataformas de streaming mais próximas de você.

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