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Conheça 5 DJs brasileiras que estão fazendo muito além de música no Brasil

Claudia Assef

08/03/2019 22h29

Na manhã desta sexta (8), enquanto tomava café da manhã, expliquei para as minhas filhas, de 7 e 9 anos, como começou essa história de comemorar o Dia Internacional da Mulher. Para elas, que já nasceram ouvindo que podem ser tudo o que sonharem, é até difícil entender por que mulheres ainda precisam protestar e reivindicar por seus direitos.

De fato estamos longe de uma equidade na vida, de andarmos seguras nas ruas, de estarmos livres de assédio no trabalho etc. etc. mas uma coisa é fato. Avançamos. Muito. E estamos tinindo em algumas áreas. Se você não sabia, estou aqui com esta notícia fresquinha: as DJs brasileiras estão seriamente detonando.

Sou fã de muita longa data de mulheres que dominam os toca-discos. Começando com a pioneira da porra toda, Sonia Abreu, que começou a rodar seus primeiros vinis em boates e festinhas no final dos anos 60. Bom, se você não conhece esse momento glorioso da história da música brasileira te indico a leitura da biografia da primeira DJ do Brasil, Ondas Tropicais, escrita por mim em parceria com Alexandre de Melo, e disponível nas melhores livrarias do ramo.

Desde que Sonia começou a deixar sua marca no mercado fonográfico nacional (ela foi responsável por várias compilações da discoteca Papagaio's Disco Club e também pelas lendárias coletâneas da rádio Excelsior, que tinham o sugestivo nome de A Máquina do Som), as mulheres começaram a se animar e com o tempo vimos algumas deixando suas marcas na história. Foram nomes como o da tranceira Roxy, da rainha do techno Andrea Gram (que segue super na ativa), de Paula Chalup, DJ que virou empreendedora, as houserias Ana Flávia, Ingrid e Flávia Carrara, isso sem falar em pioneiras de outros rolês, como Glaucia ++, que trouxe os anos 80 de volta à moda. Também é bom lembrar das meninas que ralam pra ensinar o ofício de DJ, como Lisa Bueno, além de mulheres importantes dos sons quebrados de outros tempos (Lika Marques) e de hoje também (Cinara Martins, Miria Alves, Mayra Maldijian, DJ Donna). E tem a atual rainha dos hits das pistas, ANNA, a brasileira que saiu do interior de São Paulo para brilhar no mundo todo, tocando em clubes dos mais desejados e remixando faixas de deuses e deusas do olímpo da música eletrônica.

A lista, graças a Deus, é grande, mas vou botar uma lupa aqui em 5 nomes pra você prestar mais atenção.

Cashu – Ela é de São Paulo, fundou a Mamba Negra junto com a amiga Laura Diaz. Começou a tocar na Voodoo Hop e agora se apresenta pelo mundo afora – mas é bom lembrar que seu laboratório foi aqui em São Paulo, na Mamba. Dá uma olhada neste Boiler Room, gravado durante o festival holandês Dekmantel do ano passado.

Carol Mattos – A mineira Carol Mattos é uma das integrantes do coletivo MASTER p l a n o, de Belo Horizonte, e também residente da festa Mamba Negra. Seu talento como DJ já a levou a tocar em festivais como o DGTL em São Paulo, em festas como ODD, Capslock, entre muitos clubes e festas espalhadas pelo país. Seu som tem assinatura própria e isso vale ouro para uma DJ.

Mari Rossi – Uma das pioneiras do drum'n'bass de São Paulo, Mari ressurgiu com um som novo, produzindo para uma cena de que pouco se ouve falar no Brasil, a da House. Mas não se trata daquela house music que você ouviu nos clubes desde os anos 80, estamos falando de uma cultura de house que tem como pilar a dança. É maravilhoso! Lembra os passos da Vogue, mas é mais street. Neste fim de semana tem um eventão voltado à essa cultura em Sorocaba, quem quiser mais detalhes, clica aqui. Enquanto isso se deleite com o clipe da mana com participação do house dancer Hugo Campos.

Tata Ogan – Talvez a rainha da discotecagem nacional com foco na música brasileira, a carioca Tata Ogan é uma mestre em encontrar pérolas perdidas da música brasileira. DJ, percussionista e produtora musical, Tata iniciou suas pesquisas musicais em 1998, dando início à uma linha de discotecagem que mistura a música afrobrasileira, nordestina, africana, latina, MPB contemporânea e o underground eletrônico europeu. Tata já contabiliza mais de 2 mil discotecagens em toda a sua carreira. Procure por seu nome nas festas e festivais ou ouça aqui este set feito especialmente para o Women's Music Event.

Eli Iwasa – De promoter do saudoso Lov.e Club, de São Paulo, Eli Iwasa nem imanava que viraria não apenas dona de seu próprio clube como também um DJ de renome internacional. Aquela menina que tem garra e sangue nos olhos e soube transformar determinação e talento em sucesso. Atualmente Eli está à frente do clube Caos, em Campinas, onde vive, é vocalista do duo Bleeping Sauce, e faz DJ sets pelo mundo afora.

 

 

Sobre a autora

Claudia Assef é uma das mais respeitadas especialistas em música do país. É publisher do site “Music Non Stop” e ao lado de Monique Dardenne fundou o “Women's Music Event”, plataforma de conteúdo e eventos que visa aumentar o protagonismo da mulher na indústria da música.

Sobre o blog

Um espaço para falar sobre descobertas musicais, novidades, velharias revisitadas, tendências e o que está rolando na música urbana contemporânea, seja na noite ou nas plataformas de streaming mais próximas de você.