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Quer conhecer a origem de boa parte do pop? Visite a expo Jamaica, Jamaica!

Claudia Assef

03/08/2018 14h34

Saiu de uma ilhota no Caribe a origem de muita coisa que hoje se consome a rodo na música mundial. Veio da Jamaica a raíz do que hoje chamamos de música eletrônica, a construção de beats feitos para a pista de dança, o DJ, que originalmente se chamava selector, a origem do remix, a cultura dos sound systems.

E é essa preciosidade que você pode ver de perto na exposição Jamaica, Jamaica! que fica em cartaz até dia 26 de agosto no lindo Sesc 24 de Maio. Vá com tempo, porque a aula é densa!

A mostra foi concebida numa colaboração entre a Cité de La Musique e a Philharmonie, ambas de Paris, junto com o Sesc. Depois de ficar em exibição na França, a exposição, que é considerada a mais completa já montada sobre a música produzida na Jamaica (que vai muito além do reggae), encontrou no Sesc o lugar perfeito para acontecer, especialmente porque fica no centro de São Paulo e tem entrada gratuita – mais democrático impossível.

Claro que ali você vai encontrar (muita) informação sobre Bob Marley e os Wailers, Lee Scratch Perry, Jimmy Cliff e King Tuby, talvez os nomes mais conhecidos da música feita sob os ensinamentos de Jah, mas ali tem muito, muito mais! Aprendemos as origens do gosto pela música do povo jamaicano, influenciada diretamente pelos cultos revivalistas do século 19, que misturavam cristianismo e rituais praticados pelos africanos escravizados. Conhecemos ainda a forte influência, desde o final dos anos 1780, do calypso, música originária de Trinidad, e seus cantores, os chantrels, que já tinha, desde 1940, nomes excêntricos, como King Pharaoh, Lord Superior etc., lembrando os apelidos de muitos artistas contemporâneos de reggae, dub, ska, rocksteady e dancehall.

Com o aparato de instrumentos, roupas e equipamentos originais vindo de coleções de museus da Jamaica, EUA, Inglaterra e Brasil, a mostra te leva pra um passeio profundo pela música jamaicana e seus desdobramentos todos. Num dos trechos mais divertidos da exposição, você é convidado a comandar um sound system, num emulador que permite ao visite ir anulando frequências, aumentando e diminuindo volumes a partir de uma lista de músicas clássicas entre os seletores de som da Jamaica.

Outro conteúdo visual incrível são as fotos. Dá pra viajar pra Jamaica dos anos 70 e 80, especialmente para a efervescente cena musical de Kingston, vendo as muitas imagens disponíveis na exposição. Mergulhamos ainda nas gírias jamaicanas e entendemos de onde veio aquele groove dos locais. E, claro, conhecemos também a influência da música jamaicana no Brasil, país em que encontrou em Gilberto Gil a sua melhor tradução local. Sobre a cena local, aprendemos sobre os sound systems de São Paulo, a importância do Recôncavo Baiano, e artistas de peso que talvez tenham passado batido, como Lazzo Matumbi e Edson Gomes, entre tantos outros.

 

Peça fundamental para você aproveitar ao máximo essa maravilhosa viagem à Jamaica sem sair de São Paulo é levar um bom fone de ouvido. E, mais importante que tudo, vá com tempo. Depois me conta o que achou.

Jamaica, Jamaica!
Sesc 24 de Maio (Rua 24 de Maio, 109, tel. 11 3350-6300)
De terça a sábado, das 9h às 21h
Domingos e feriados, das 9h às 18h
Gratis
Até 26 de agosto

 

Sobre a autora

Claudia Assef é uma das mais respeitadas especialistas em música do país. É publisher do site “Music Non Stop” e ao lado de Monique Dardenne fundou o “Women's Music Event”, plataforma de conteúdo e eventos que visa aumentar o protagonismo da mulher na indústria da música.

Sobre o blog

Um espaço para falar sobre descobertas musicais, novidades, velharias revisitadas, tendências e o que está rolando na música urbana contemporânea, seja na noite ou nas plataformas de streaming mais próximas de você.