Claudia Assef http://claudiaassef.blogosfera.uol.com.br Um espaço para falar sobre descobertas musicais, novidades, velharias revisitadas, tendências e o que está rolando na música urbana contemporânea, seja na noite ou nas plataformas de streaming mais próximas de você Fri, 23 Aug 2019 14:26:25 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Uma das festas mais queridas da noite, Selvagem está de pai solo http://claudiaassef.blogosfera.uol.com.br/2019/08/23/uma-das-festas-mais-queridas-da-noite-selvagem-esta-de-pai-solo/ http://claudiaassef.blogosfera.uol.com.br/2019/08/23/uma-das-festas-mais-queridas-da-noite-selvagem-esta-de-pai-solo/#respond Fri, 23 Aug 2019 14:26:25 +0000 http://claudiaassef.blogosfera.uol.com.br/?p=681 Ao longo de seus oito anos de história, a festa Selvagem virou cenário de muitos encontros, namoros, virou hit, pisou na lama, foi trilha de ricos e famosos, continuou na rua, puxou Carnaval, viajou, lançou discos e, sem exageros, ajudou a mudar o panorama da noite de São Paulo.

Começou mudando a vida de seus criadores, Augusto Olivani, o Trepanado, e Millos Kaiser, dois jornalistas e pesquisadores musicais que se juntaram em 2011 para fazer uma festa despretensiosa e acabaram juntando 200, 400, 800 pessoas em menos de um ano de atividades, muitas vezes debaixo de (muita) chuva.

Não é segredo nenhum que a Selvagem mudou a minha vida e a do Millos. Antes da nossa gênese, em 2011, eu tinha desencanado completamente do sonho de ser DJ; tinha desistido da noite, basicamente. Quando a gente se conheceu, foi o Millos que veio com a ideia de fazer festa despretensiosa no Paribar, centrão de São Paulo, em frente da praça Dom José Gaspar, um cantinho da cidade mais acostumado com os pagodes de sábado à tarde.

A liberdade musical da festa surgiu como uma novidade numa noite que havia se acostumado a ter rótulos precisos (“tech-house”, “minimal”, “techno” etc). Na Selvagem tocava de tudo e mais um pouco e não foram poucos os hits estranhos que surgiram da cabine da festa.

Millos Kaiser e Trepanado no Carnaval de 2016

Depois de oito anos juntos, a Millos deixou a festa e Trepanado segue firme com o projeto, que agora se desdobra mais tentáculos. Fui tocar numa dessas ramificações domingo passado, na festa Domingo Disco Club, realizada em parceria com a loja Patuá Discos, na Void, em Pinheiros, e senti de novo o frescor das Selvagens dos primeiros anos.

A fim de saber quais os próximos planos dessa festa que agora tem pai solo, troquei uma ideia com Trepanado, que lançou em julho uma coletânea linda com raridades dançantes brasileiras lançadas nos anos 80 e 90. O disco Street Soul Brasil foi lançado pelo selo Hello Sailor Recordings e tem de Afrodite se Quiser a Thaíde & DJ Hum. Leia a seguir o que vem de Selvagem pela frente.

Como tem sido a dinâmica de tocar carreira solo na Selvagem.

Trepanado – Você diz como líder do núcleo de festas ou como DJ? Vou falar dos dois. De um lado, envolve bastante trabalho e muita responsabilidade, especialmente por se tratar de uma festa que tem uma identidade marcante e que é querida do público, e eu quero que isso continue intocado – mas também quero que exista uma evolução, não quero que a experiência seja a mesma, pois é diferente. Por outro lado, como DJ, tem sido um processo criativo muito bom, que passa por uma reconexão com meu lado mais instintivo, o que não deixa de ser algo bem divertido.

Conta um pouco sobre a pesquisa pra fazer a coletânea Street Soul Brasil, imagino que não deve ter sido fácil conseguir as liberações, né?

A bela capa de Street Soul Brasil

Trepanado – Foi menos difícil do que as pessoas costumam achar, mas com certeza não foi fácil. Metade das músicas tem seus direitos atrelados a grandes gravadoras como Warner, Sony e Universal, e muitas vezes isso implica limitações nas licenças – por exemplo, é caro demais fazer a coletânea no vinil e no digital –, mas até que os departamentos das gravadoras trabalharam rápido. O mais difícil do processo todo sempre foi descobrir quem tinha os direitos da obra (explicando rapidinho: pra fazer direito, precisa obter duas licenças: a da gravação e a da obra, são duas coisas diferentes), pois, ao contrário do que pode parecer, quase nunca o artista que lançou por uma gravadora grande tem o direito da música. Então eu tive que participar de forma bem ativa fazendo esse trabalho de detetive durante esse processo de licenciamento  – que, é claro, foi conduzido por um advogado especialista na área. Ao mesmo tempo, tivemos sorte também em negociar diretamente com alguns artistas cruciais pra seleção da Street Soul Brasil, como a Fernanda Abreu e o JC Sampa do Sampa Crew. Lembrando que sem o suporte da Renata do Valle, a cabeça do selo Hello Sailor, a coletânea não teria saído como saiu.
Como você se sente fazendo música e festas no Brasil em que estamos vivendo?

Trepanado – Ultimamente, bem preocupado. Assustado não, pois essa onda conservadora é algo que está no radar já faz uns três anos e não tinha como esperar algo diferente do atual presidente – nem do governador, nem da câmara. Mas cheguei no ponto de torcer pra algo dar certo pois o cenário pra quem produz eventos está muito ruim. Cada vez menos espaços que sirvam de locação pro tipo de festa que eu quero fazer, pouco dinheiro circulando… Desculpem o pragmatismo, eu posso ser bastante idealista na concepção de um line-up, na minha pesquisa musical, no trabalho do selo, que é a Selva Discos, mas não tenho saúde pra fazer festa por fazer. Eu faço porque gosto, porque me dá prazer trabalhar pra que as pessoas se divirtam, que dancem e possam esquecer, por uma noite, o tanto de lixo que temos que combater no dia a dia. Talvez esse seja o meu ato de resistência.
A música, por outro lado, é minha válvula de escape – eu não sou um autor, mas é minha forma de materializar as ideias que eu tenho aqui borbulhando na cabeça. Pode ser um remix, um edit que eu faça de determinada faixa para trazer um toque de exclusividade nos meus DJ sets, mas é uma ação menos política e mais hedonista. Só miro o prazer e não me sinto culpado.

Trepanado usando um de seus looks selvagens na cabine

Você consegue sair sem ser nas noites em que está tocando? Onde vai e o que te atrai numa discotecagem?

Trepanado – Hahaha pergunta bastante pertinente pra quem é pai de um menino de 10 anos e casado. Saio cada vez menos, e nem é porque deixei de prestigiar meus amigos, é mais pra minha sanidade mental. Tenho um emprego fixo, acordo cedo durante a semana, enquanto na paralela cuido da Selvagem, da Selva Discos – o selo que está mais ativo do que nunca –, pesquiso música e me preparo pras apresentações nos fins de semana, sem deixar de passar tempo quase que todo dia com a família, então é muita então é muita coisa pra coordenar e se eu ficar no rolê, já era: esse balanço entre vida pessoal e profissional fica prejudicado e não sou mais jovem.

Porém, contudo, todavia, quando eu saio eu basicamente vou ver meus amigos tocarem. O que mais me atrai hoje é a maturidade em saber ler o momento da festa, em manter a pista empolgada ao mesmo tempo em que se propõe algo diferente. Fazer uma festa acontecer não é um exercício de vaidade, seja a vaidade de agradar a si mesmo tocando só o que quer ou de agradar aos outros tocando só o que eles querem. Enfim, eu sempre vou ser a pessoa que vai pirar naquele momento fora da curva, se ele acontecer, e nas músicas que eu ainda não conheço.

Vocês foram pioneiros em fazer festas na rua/no centro de SP, hoje isso é muito comum. Sente que a Selvagem teve um peso grande nesse avanço?

Trepanado – Se a Selvagem foi alguma coisa nesse sentido, foi catalisadora de um movimento que já existia. Os soundsystems de dub foram pioneiros nessa história e continuam firmes e fortes, com uma injeção incrível de sangue jovem de sistemas liderados por mulheres, por exemplo. Se alguém citar a Selvagem como um ícone deste movimento, ou como influência, vou me sentir imensamente orgulhoso por ter feito parte de algo que tocou fundo nas pessoas. Mas não cabe a mim dizer. Talvez, o grande lance não tenha sido fazer festa na rua, mas fazer na rua, propondo uma mistura única de ritmos com forte sotaque brasileiro – talvez o legado mais importante seja esse.

Selvagem Apresenta: Trepanado All Night Long
Sábado, 24 de agosto, a partir das 22h
Coffeeshop Club
Rua Fradique Coutinho, 1157, Pinheiros
A partir de R$ 30

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House Dancers, como vivem, o que comem, como dançam tão bem? http://claudiaassef.blogosfera.uol.com.br/2019/08/10/house-dancers-como-vivem-o-que-comem-como-dancam-tao-bem/ http://claudiaassef.blogosfera.uol.com.br/2019/08/10/house-dancers-como-vivem-o-que-comem-como-dancam-tao-bem/#respond Sun, 11 Aug 2019 00:49:26 +0000 http://claudiaassef.blogosfera.uol.com.br/?p=661 Quem não conhece house music bom sujeito não é. O gênero musical nasceu nos anos 80 em Chicago, migrou para Nova York e, a partir daí, foi abraçado pelo mundo, fazendo gente suar a camisa nas pistas de dança e dando origem a subgêneros diversos, dos mais comerciais, como a eurohouse, até os mais cabeçudos, como a microhouse. Na linha do tempo, daria pra listar mais de uma dúzia de subgêneros que têm na linhagem a matriz criada no clube Warehouse, em Chicago, pelas mãos do DJ Frankie Knuckles.

Mas, como você leu no título, este texto fala de house dance, ou “dança house”, um modalidade de dança que chegou no Brasil no início dos anos 2000 graças a alguns precursores e que cada vez mais tem conquistado um lugar de destaque no universo das danças urbanas.

Os DJs Rafa Moraes, Mari Rossi e Artur Viegas, da festa Friends Casa

Minha primeira vez numa festa de house dance foi na Friends Casa, com os DJs Mari Rossi, Rafa Moraes e Artur Viegas, alguns domingos atrás. Qual não foi minha surpresa quando entrei na festa e as pessoas estavam molhadas de suor, fazendo seus passos super-elaborados, mega concentradas num objetivo único, dançar. Pensei: “será que me arrisco também, na frente desses profissas?”. A vibe é tão plena que você nem liga que vai passar vergonha fazendo seus passinhos rudimentares diante dos bailarinos. Dane-se, o que importa é dançar e ser feliz. Uma retorno ao início de tudo, onde não tem espaço para celular, papinho, encher a cara. Dançar é revigorante, do jeito que você quiser/puder.

Pra quem vem de um background onde pose, carão, e outros elementos alheios à pista contam tanto, participar de um evento de house dance é uma experiência antropológica. É sentir a importância da dança em primeiro plano, muito à frente dos outros elementos que te fazem ir à uma festa (a birita, os amigos, a paquera). Numa festa de house dance, a música é fundamental, mas não é o mais importante. O DJ funciona como um facilitador para que a grande magia aconteça na pista, com o corpo e a alma em sintonia. É como um ritual de positividade, de alto astral, marcado por coreografias que misturam passos de frevo, break, vogue, balé e muito mais.

HOUSE DANCE NO BR

O início da house dance no Brasil remonta a 2002 quando o dançarino André Pires teve acesso a fitas VHS da dança e começou a treinar. No ano seguinte, os dançarinos Karl Kane Wung, da França, e Storm, da Alemanha, vieram para o Brasil e deram a primeira aula do estilo. “Uns amigos meus da Companhia Discípulos do Ritmo fizeram contato com eles, e então aconteceu a primeira aula de house dance no Brasil, na zona norte de São Paulo”, conta André Pires, conhecido como André Rockmaster desde 2007 por causa do nome de sua festa, uma das mais conhecidas do país.

André Rockmaster, um dos pais da house dance no Brasil

Em 2004 aconteceu o primeiro workshop de house dance em Curitiba, dentro de um evento de danças urbanas. “Daquele ano em diante a dança house começou a se espalhar pelo Brasil, graças a esforços de dançarinos como o Edson Guiu, que se juntou a mim nessa batalha”, conta André.

Se juntaram a eles nomes como a professora de dança Tati Sanchis, dona de duas escolas, e Nenê, responsável pelo Encontro House Brasil, evento que passa por várias cidades brasileiras levando batalhas, showcases e bate-papos com professores e DJs. A etapa São Paulo do encontro acontece neste domingo (11), no Centro Cultural Olido.

A dançarina Tati Sanchis, dona de duas escolas em São Paulo

“Eu já gostava da música e quando alguns colegas, como o André Rockmaster e o Guiu, eu pediu pra eles me mostrarem. Eu já era envolvida com a dança wacking. Quando eu cheguei em Nova York, tinha muita coisa de house rolando. Tinha uma comunidade forte, muito democrática. Acabei me envolvendo de uma forma muito forte porque fui muito acolhida. Quando você pensa em hip hop por exemplo você imagina um personagem, uma roupa. Na dança house não tem isso, essa dança aceita todo mundo”, diz Tati Sanches, hoje um diferencial importante. “E finalmente é uma dança muito feliz, tem mensagens muito positivas. Essa dança me pegou desde o começo. Me pegou em cheio. E hoje temos uma cena muito legal aqui também”, diz uma das professoras mais influentes do país.

Sobre os movimentos em si, Nenê, criador do Encontro House Brasil, define alguns conceitos que estão inseridos na house dance: “house é uma mistura de diferentes ritmos, principalmente das culturas afro-americanas e latinas, desde salsa, merengue e cha-cha-cha, até influências de samba, capoeira e jazz”, diz Nenê.

“Comecei a frequentar as aulas do professor de house dance Hugo Campos, na escola da Tati Sanchis, comecei a ir em batalha e, claro, festas. Fiz a festa de lançamento da minha música Danza na Friends Casa. Daí comecei a tocar em encontros de house e tem sido sensacional”, diz Mari Rossi, uma das DJs que foram acolhidas pelo movimento.

 Mari Rossi em Danza

“Pra mim foi uma redescoberta na minha carreira. Pista legal, animada, a gente sempre teve. Mas sempre teve outros fatores. No caso deles é só o amor pela música mesmo! Pra eles, bebida, paquera, outras coisas, não significam nada. Quando eles começam a dançar, gera uma energia tão contagiante, que suga qualquer um, é incrível, me deu um novo fôlego”, diz Mari, que resume de uma forma linda: “foi um presente na vida”.

Acreditem na Mari, o bagulho é doido. Quem quiser tirar a prova aí embaixo vão alguns eventos:

ENCONTRO HOUSE SÃO PAULO

Domingo, 11 de agosto, a partir das 16h
De R$ 5 a R$ 10
Sala Paissandu
Av. São João, 473, Centro
Grátis

ROCKMASTER ESPECIAL COM ARCHIE BURNETT(NYC)
Quarta, 18 de setembro, das 18h às 21h
Vitrine da Dança
Av. São João, 473, Centro
Grátis

FRIENDS CASA
Domingo, 13 de outubro, a partir 15h
(aula de house dance das 16h às 17h)
Vitrine da Dança
Av. São João, 473, Centro
Grátis

ROCKMASTER
Domingo, 27 de outuburo, a partir das 15h
Vitrine da Dança
Av. São João, 473, Centro
Grátis

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Venda de fitas k-7 cresce quase 100% na Inglaterra em 2019. E no Brasil? http://claudiaassef.blogosfera.uol.com.br/2019/07/30/venda-de-fitas-k-7-cresce-quase-100-na-inglaterra-em-2019-e-no-brasil/ http://claudiaassef.blogosfera.uol.com.br/2019/07/30/venda-de-fitas-k-7-cresce-quase-100-na-inglaterra-em-2019-e-no-brasil/#respond Tue, 30 Jul 2019 19:57:05 +0000 http://claudiaassef.blogosfera.uol.com.br/?p=645 Eu sou a típica nerd de música que cresceu nos anos 80 obcecada por encontrar lançamentos nos formatos vinil e, quando estava sem grana, fita. Era essa a nota de corte pra mim; quando não tinha grana suficiente para comprar o disco, a fita era um bom quebra-galho.

O formato físico já não faz a cabeça da maioria, é claro, e o mercado da música tem dado graças a deus pelo advento do streaming pago. Mas ainda há seres humanos como eu, que apreciam botar aquele disco debaixo do braço e ficar namorando a capa, o encarte e até… cheirando a bolacha, eu confesso.

Ainda bem que o que não falta é gente apegada a esses formatos. Em tempos de escalada das plataformas de streaming, uma notícia me chamou a atenção. Na Inglaterra, sempre um mercado ponta-de-lança quando o assunto é a indústria da música, o formato fita cassete cresceu 94% nos primeiros seis meses do ano, representando mais de 35.000 unidades vendidas! Um número gigantesco para um formato que está mais ligado ao universo de Strager Things do que de apps como o Shazam, né?

Você pode até pensar que quem está comprando fitas é gente saudosista que não quer deixar de ter o último lançamento da sua banda preferida dos anos 80 neste formato, mas não… O primeiro lugar em vendas de k-7 na Inglaterra no primeiro semestre de 2019 foi o disco When We Fall Asleep, Where Do We Go?, estreia da cantora americana Billie Eilish, de 17 anos.

No início de 2016, a notícia de que o Flapc4, um estúdio de gravação em São Paulo, ia começar a duplicar fitas K-7 deixou nerds de música de Norte a Sul do Brasil atiçados. Será que estaríamos preparados para a volta das fitinhas? Pouco mais de dois anos e 2.500 unidades depois, incluindo edições de K-7 para artistas tão diferentes quanto Luan Santana, Arthur Joly e Tássia Reis, o Flapc4 passou o bastão, ou melhor, as duplicadoras que havia comprado para a Polysom, fábrica de vinis reativada em 2009 e que vem crescendo a cada ano, assim como o mercado de vinil, no Brasil e no mundo.

João Augusto, da Polysom, avalia que o mercado cresce com constância no Brasil

Eis que a Polysom, com sua dupla de consultores João Augusto e Rafael Ramos à frente, vem desenhando uma história interessante na reativação do mercado de fitinhas no Brasil. Nada comparado ao estouro da Inglaterra, mas por aqui também os números mostram um crescimento constante, ainda que lento. “O formato vem sendo cultuado novamente mundo afora. Agora mesmo, estivemos numa das lojas Rough Trade, de Londres, e já há um setor, ainda que pequeno, exclusivo para cassetes. E é interessante ver que alguns artistas já fazem lá o que estamos fazendo com a Pitty no Brasil: lançar todo o seu catálogo em cassetes de cores diferentes. A Björk fez isso, e a coleção é linda”, diz João Augusto.

Rafa Ramos complementa o raciocínio de João. “Praticamente tudo que faz esgota: Elza, Pitty, novo do Dead Fish. Tudo já está na segunda ou terceira prensagem”, ele conta. Desde o início de 2018, foram lançados 18 títulos licenciados, além de 4 que ainda serão lançados em agosto, totalizando 22. Além desses, foram 30 títulos duplicados sob encomenda de terceiros. Total de unidades duplicadas até junho de 2019 é de 5.353.

 

 

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Aberto chamamento para o SP na Rua 2019, mande seu projeto até 9 de agosto http://claudiaassef.blogosfera.uol.com.br/2019/07/24/aberto-chamamento-para-o-sp-na-rua-2019-mande-seu-projeto-ate-9-de-agosto/ http://claudiaassef.blogosfera.uol.com.br/2019/07/24/aberto-chamamento-para-o-sp-na-rua-2019-mande-seu-projeto-ate-9-de-agosto/#respond Wed, 24 Jul 2019 16:51:41 +0000 http://claudiaassef.blogosfera.uol.com.br/?p=651 Acabou de ser publicado pela Secretaria de Cultura de São Paulo o chamamento público que convida coletivos de festas a se inscreverem para a seleção do SP na Rua, evento organizado pela Prefeitura que, em setembro, chega à sua 7a edição. Para se inscrever é só clicar aqui e preencher o formulário.

Assim como nos últimos seis anos, o SP na Rua acontece em setembro (sem data confirmada ainda), mês em que também se comemora o Dia da Música Eletrônica de SP. Ou seja, se você é de fora da cidade, fique de olho em passagens baratas e vá se organizando para estar por aqui em setembro. Mais pra frente vou informando sobre datas.

A ideia da Secretaria Municipal de Cultural é mais uma vez fortalecer os coletivos que fazem festas underground de São Paulo com esse eventão, que tem sido palco de descoberta de muita gente nova atuante da noite e também abrigo para quem já vem batalhando por ela há tempos. Como diz o chamamento, o intuito é dar espaço para a “diversidade musical underground de São Paulo”.  Portanto, se você organiza festas em seu bairro e quer fazer parte de um eventão de rua onde a música de pista vem em primeiro lugar, corra pra tentar uma vaga num dos palcos.  As inscrições podem ser feitas até o dia 9 de agosto.

DIA DA MÚSICA ELETRÔNICA DE SP

Além da ótima notícia sobre a realização do SP na Rua (já tinha gente se perguntando se iria rolar ou não), também está confirmada a realização da semana de eventos em torno do Dia da Música Municipal da Música Eletrônica de SP, com eventos que irão acontecer entre os dia 22 e 29 de setembro, tendo o Centro Cultural Olido como base. Serão exposições, painéis de debate, mostra de filmes e, claro, muita festa! Pode anotar na sua agenda e se programar para estar em Sampa nesta semana, porque não vai dar pra perder. Este será o segundo ano que farei parte do time à frente dessa celebração e não poderia estar mais feliz e ansiosa pra contar tudo o que iremos fazer. Ano passado, reunimos mais de 40 DJs em 5 festas espalhadas por São Paulo e foi lindo.

Veja como foi o Dia da Música Eletrônica de SP de 2018

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DJs brasileiras estão levando a música eletrônica nacional para a gringa http://claudiaassef.blogosfera.uol.com.br/2019/07/15/djs-brasileiras-estao-levando-a-musica-eletronica-nacional-para-a-gringa/ http://claudiaassef.blogosfera.uol.com.br/2019/07/15/djs-brasileiras-estao-levando-a-musica-eletronica-nacional-para-a-gringa/#respond Mon, 15 Jul 2019 18:59:19 +0000 http://claudiaassef.blogosfera.uol.com.br/?p=629 Já deu pra sentir que tem muita mulher na cabine de DJ e isso não é de hoje. Apesar de ainda existir um desequilíbrio enorme entre gêneros em muitos eventos no Brasil, do outro lado da balança, há também todo um movimento que luta pela equidade, criando festas, festivais e eventos com line-ups onde a mulher é protagonista em todas as frentes.

O que a gente comemora muito é o fato de algumas dessas DJs estarem fazendo sucesso levando sua bagagem musical para além do território brasileiro, coisa que é realmente fato inédito para as meninas. A música eletrônica nacional já viveu alguns momentos de romance com o exterior, começando com a cena de drum’n’bass no final dos anos 90, personificada especialmente na figura dos DJs e produtores Marky, XRS e Patife. Anos depois, o Brasil “eletrônico” voltou a ser assunto quando o hit Pontapé, de Renato Cohen, virou hino nas pistas de techno do mundo todo, levado pelo padrinho Carl Cox, e no início dos anos 2000 foi a vez do paulistano Gui Boratto levar seu minimal techno pra passear por outros continentes.

Claro que muitas DJs brasileiras já tocaram fora do país. Inclusive temos a rainha do techno ANNA, que acabou optando por viver em Barcelona de tanto que bombou na Europa de uns 5 anos pra cá. Mas tem um novo time que vem tocando fora do país (e de certa forma representa a cena de festas independentes) que dá aquele orgulho das manas. Talvez a imagem mais emblemática desse paredão de minas na gringa seja a da DJ Cashu tocando no Boiler Room transmitido do festival Dekmantel, na Holanda, em agosto do ano passado.

Depois disso, uma série de datas em festivais e clubes de renome começaram a ser divulgados por DJs como Amanda Mussi, Badsista e a Barbara Boeing. Numa conversa rápida com a Cashu, entendi que se trata do resultado da relação delas com agências internacionais de bookings como Apelago, Odd Fantastic e Futura. Agências gringas têm buscado mais artistas femininas e sons diferentes dos padrões europeus, e, neste quesito, as brasileiras estão com a bola toda. Conheça um pouco sobre elas.

Barbara Boeing 

Barbara Boeing é DJ e pesquisadora musical há mais de uma década e, desde 2012, dá o sangue pela cena de sua cidade natal, Curitiba. Já teve banda e depois formou um coletivo, o Alter Disco. Fazendo festas de graça, Barbara ajudou a mudar movimentar a cena local, com um tempero próprio. Antes de partir para as primeiras datas na gringa, porém, Barbara foi construindo uma reputação tocando em festivais como o holandês Dekmantel em São Paulo, em 2018, e várias festas legais espalhadas pelo Brasil. Assim como rolou com Cashu, que ganhou muita moral depois de se apresentar ao vivo no programa Boiler Room, Barbara também ganhou um Boiler pra chamar de seu. Foi durante o festival Nuits Sonores, em Lyon, na França. O set foi transmitido ao vivo em junho último e foi sucesso total.

Ouça Barbara Boeing no Soundcloud

Amanda Mussi 

Dá pra dizer que a Amanda Mussi é uma ativista do techno de São Paulo, que tem background paraguaio (de onde ela já trouxe vários DJs incríveis para tocar no Brasil) e muito amor pela pista de dança. Fazendo uma mistura de gêneros que vão do techno ao electro, Amanda propagou suas ondas sonoras à frente da cabine da Düsk, festa criada por ela há quatro anos e que circula por vários endereços em São Paulo. Das recentes experiências neste verão europeu, ela aponta como highlights ter tocado no clube Berghain, em Berlim, o sonho dourado de 9 entre 10 DJ, e uma gig na Rússia.

Amanda na porta do Berghain, clássica foto pós-set, já que lá dentro fotos não são permitidas

Uma das criadoras da Mamba Negra, uma das festas mais queridas de São Paulo, Cashu tem circulado MUITO longe de sua terra natal. No Brasil, tocou em festivais como Dekmantel, DGTL, Red Bull Music Academy, Coquetel Molotov e muitos outros. Seu pulo do gato para o sucesso na gringa foi quando surgiu no line-up do Panorama Bar em Berlim e do Deckmantel Festival em Amsterdã, em 2017. Dali em diante passou a se apresentar em festivais e clubes importantes pelo mundo afora. Nesta segunda-feira (15), por exemplo, ela toca na festa Circoloco, no clube DC-10, em Ibiza, e em seguida embarca para a mesma festa, só que em Barcelona. No fim de semana, ela se apresenta no Melt Festival, na Alemanha, ao lado de nomes com Bonobo, Ellen Allien, Four Tet e Honey Dijon. Em setembro, ela toca junto com Badsista no Sónar da Cidade do México.

Cashu, da Mamba Negra para a Tasmânia e além

Badsista
Lembro das primeiras vezes que encontrei a Rafaela Andrade em painéis de debate, como um que aconteceu na Red Bull Stations durante o projeto Pulso, uns quatro anos atrás. E o que aconteceu com ela nesses quatro anos? Tudo! Rafa bombou seu nome de DJ e produtora, Badsista, produziu Linn da Quebrada, criou uma festa que é um sucesso, a Bandida, abriu um intercâmbio com outras muitas DJs e começou uma fervilhante carreira internacional, que já a levou até ao histórico e gigantesco festival Glastonburry na Inglaterra. Está neste momento em Londres, onde tocou ontem. Nos últimos meses passou pela Austrália, Portugal, Espanha, Holanda, França, México, Alemanha… o mundo tá pequenininho pra esta “irmã ruim”. Veja aqui o Boiler Room que ela gravou na Alemanha, em março deste ano.

 

Ouça Badsista no Soundcloud

Érica

Mais um exemplo de mulher brasileira que anda levando um som diferenciado pra gringa é a cantora, DJ e produtora Érica, também conhecida como Érica Alves, que faz um live act de respeito e nos últimos anos vem representando a música eletrônica ao vivo em festivais e rolês mais amplos como a Red Bull Music Academy em Paris e Montréal, Forthwith Festival em Winnipeg, Canadá, apresentações em eventos de arte e festas da tribo-mor Voodoohop em Berlim. Acaba de chegar do Festival Más Amor Por Favor em Montpellier, no quase-tropical sul da França. Diferente dos exemplos acima, Érica não tem contrato com agência e vem agitando tudo de forma independente. Ela aproveitou essa ida ao velho continente para fazer uma transmissão do descolado Red Light Radio em Amsterdã, que você pode conferir na íntegra por esse link abaixo

Ouça Érica no Soundcloud

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Festa criada por Mahal Pita e Dalasam celebra a Bahia com MC Tha e Edgar http://claudiaassef.blogosfera.uol.com.br/2019/06/28/festa-criada-por-mahal-e-rico-dalasam-celebra-a-bahia-com-mc-tha-e-edgar/ http://claudiaassef.blogosfera.uol.com.br/2019/06/28/festa-criada-por-mahal-e-rico-dalasam-celebra-a-bahia-com-mc-tha-e-edgar/#respond Fri, 28 Jun 2019 20:52:05 +0000 http://claudiaassef.blogosfera.uol.com.br/?p=609 São Paulo é uma babel que abriga gente de tudo que é canto do planeta. Quase metade da população que vive na cidade não nasceu nela. Receber gente de fora é uma das características dessa metrópole gigantona e desengonçada, conhecida como detentora da maior população de japoneses fora do Japão, por exemplo, além de ter a maior população de baianos fora da Bahia.

Em julho, uma festa nasce com o espírito voltado para a celebração dessa ancestralidade baiana que habita em São Paulo, através de netos e filhos de migrantes.

A Mahalpita Konvida nasceu da vontade de um desses baianos residentes em São Paulo, Mahal Pita, produtor musical e ex-integrante do Baiana System, de resgatar as culturas de resistência e de liberdade de Salvador, através de sua pesquisa de samba-reggae e de um rol de convidados de responsa. No line-up desta primeira edição, que acontece no domingo 7 de julho na Vitrine da Dança (Centro Cultural Olido) e se estende pela rua Dom José de Barros, tem, além do próprio Mahal, MC Tha, Edgar e Rico Dalasam.

Rico Dalasam, cocriador da Mahalpita Konvida

“A festa vai ser um lugar para celebrar as culturas de resistência e de liberdade de Salvador e como isso vai se desdobrando pros filhos e netos perdidos por aqui. Por isso faz muito sentido começar por São Paulo”, diz Mahal. “Eu hoje como residente em São Paulo tenho um desejo de reunir netos, filhos de baianos, essa linhagem que foi se pulverizando no Brasil. É a tentativa de entender em 2019 o que seria essa organização, que outrora existia em Salvador, fazendo um paralelo de África e Jamaica”, explica.

O músico e produtor Mahal Pita, criador da festa que celebra Salvador

Mahalpita Konvida é mais que uma  festa, ele conta. “Veio da produção de um disco, mas também tenta entender essa geografia dos baianos espalhados pelo Brasil e traz a minha pesquisa de samba-reggae, que não se limita só ao som”.

Ele acredita que a nova festa irá fazer uma interseção entre muitas galeras. “Salvador já é uma intersecção da África, eu aqui em São Paulo já sou um corpo estranho. Percebendo o cenário das festas em São Paulo, quis criar um lugar de fronteira, uma encruzilhada. Vamos trazer o universo da Jamaica, da África, de Salvador e de São Paulo. A ideia é lidar com essas diferenças”, Mahal contextualiza.

Ao seu lado, produzindo a festa, está Rico Dalasam, parceiro de Mahal em discussões no dia a dia e em produções musicais. “Ele tá no rap, mas não é um rapper. Está dentro de um entendimento de gênero, mas não é só isso. Ele me convidou pra produzir o disco mais recente dele. E eu o convidei  pra fazer essa movimentação em torno da festa”, explica Mahal.

ACEITE-SE

Para Dalasam, o encontro com Mahal deu novo significado a vários temas referente à sua própria ancestralidade. “Minha mãe é baiana. Isso de algum jeito explica algumas agonias. A primeira música que eu decidi lançar passava por uma lógica de samba-reggae e cruzou com batidas de rap e pop. E daí nasceu Aceite-se“, lembra Dalasam.

MC Tha, atração da primeira edição

“Essa festa, que é um dos tentáculos de uma construção, que envolve disco e outros meios de arte, ela sintetiza esse primeiro balanço da minha entrada na arte. É celebrativo. Quatro anos de Aceite-se, que sampleou samba-reggae, é o celebrar disso”, ele conclui.

A festa nasce tendo como base a Vitrine da Dança, na Olido, mas tem intenção de ser itinerante. Os convidados também têm a Bahia no DNA. “Conversando com a Tha, descobri várias coisas sobre a minha própria ancestralidade baiana”, diz Dalasam.

“O Rico, por exemplo, não sabia até outro dia informações da mãe dele. Se não existir um território onde essas informações sejam provocadas, isso se perde. Contei pra ele a historia da Revolta dos Malês pro Edgar, e isso já remeteu a ele outras lembranças. Esses convidados são pessoas que podem destravar alguma coisa em termos de ancestralidade baiana”, diz Mahal.

O Novíssimo Edgar

Então seja pela Bahia, pelo samba-reggae, pelo Rico, pela Tha, pelo Edgar ou pelo Mahal, aceite o convite de Mahalpita Konvida e venha pra rua dia 7 de julho. 

Mahalpita Konvida ed. 1 

///O NOVÍSSIMO EDGAR
///MC THA
///RICO DALASAM

DOMINGO 7 de julho, 15H
Centro Cultural Olido
Av. Sao Joao 473, Centro
Grátis

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Björk dança no escuro com você na mostra que abre nesta terça no MIS http://claudiaassef.blogosfera.uol.com.br/2019/06/18/bjork-danca-no-escuro-com-voce-na-mostra-que-abre-nesta-terca-no-mis/ http://claudiaassef.blogosfera.uol.com.br/2019/06/18/bjork-danca-no-escuro-com-voce-na-mostra-que-abre-nesta-terca-no-mis/#respond Tue, 18 Jun 2019 19:10:17 +0000 http://claudiaassef.blogosfera.uol.com.br/?p=601 Lá estava eu morando sozinha em Paris, trabalhando como correspondente da Folha de S. Paulo, num frio de rachar, longe da família e dos amigos. O ano era 2000, e o filme Dançando no Escuro, do diretor Lars von Trier, arrastava milhares de fãs da cantora islandesa Björk, eu inclusive, ao cinema para ver como ela se sairia como atriz.

No filme, Björk é a protagonista, Selma, uma imigrante da ex-Checoslováquia que trabalha como operária numa fábrica americana na década de 60. Por causa de uma doença congênita, ela está perdendo a visão, assim como seu filho. E Selma tem um objetivo na vida, juntar o dinheiro necessário para a operação do filho. Como colega de fábrica, está ninguém menos que Catherine Deneuve.

Desculpe o spoiler se você não viu o filme, mas é a coisa mais triste deste planeta. Me lembro de ter tido uma crise de choro na sala de cinema, que se estendeu pelo caminho que percorri de bicicleta até chegar em casa, a ponto de um guarda me parar na rua pra perguntar se estava tudo bem (dramática, ela).

Não vou contar a história, mas o que mais emociona no filme é sem dúvida a interpretação de Björk, que inclusive rendeu a ela a Palma de Ouro como Melhor Atriz em Cannes (em 2000). Não causa espanto a quem acompanha a trajetória dessa islandesa que conseguiu juntar o exótico e a vanguarda e embalar em invólucros tão pop que ela se tornou um dos nomes mais adorados da música mundial.

O dom da interpretação é algo que você verá bem de perto na mostra Björk Digital, que entra em cartaz nesta terça (18) no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo. Como diz o nome da exposição, não vá esperando memorabilia, discos, partituras ou fotos antigas, como oferecia, por exemplo, a mostra de David BowieBjörk Digital é totalmente focada na capacidade da multiartista de fundir música, artes visuais e tecnologia, algo que sempre foi a marca registrada dela.

Sempre na vanguarda dessa tríade de música, arte visual e tecnologia, Björk surge em videoclipes imersivos, que misturam realidade virtual e gravações em 360 graus. Os clipes de seis músicas do álbum Vulnicura, de 2015, são apresentados em salas escuras, equipadas com bancos giratórios, óculos de realidade virtual e fones de ouvido. O álbum inteiro fala da dor do divórcio da cantora com o artista plástico Matthew Barney, e as faixas se alternam entre processo de cura, isolamento, frustração, renascimento… Com os óculos e fones de ouvido, a exposição convida para um momento cara a cara com Björk e suas muitas expressões, figurinos incríveis, harmonias improváveis e efeitos visuais perturbadores.

É impressionante ver a tecnologia aplicada em Quicksand, vídeo rodado em 360 graus de uma performance ao vivo de Björk em Tóquio, capturada em realidade virtual aumentada. Ali a cantora parece realmente ter descido de uma espaçonave direto para o palco, fazendo filmes de super-heróis em 3-D parecerem trabalho de escola.

Em Mouth Mantra, fazemos uma viagem por dentro da boca da cantora, representando uma cirurgia que ela fez para tratar um problema nas cordas vocais. Dirigido pelo artista visual Jesse Kanda, conhecido por fazer imagens para o produtor venezuelano Arca, o vídeo é um dos momentos que causam um pouco de vertigem aos mais sensíveis.

Mas a experiência mais divertida da visita é a imersão na cabine que contém as músicas Family e Notget. Combinando imagens 3-D, controles interativos e captura de movimentos, é possível chegar bem perto da Björk virtual, que dança, se ajoelha e, de repente, passa por dentro da gente como se fosse um fantasma. Com minhas mãos virtuais, fiz carinho na cabeça e abracei Björk, certamente minha única oportunidade de fazer isso na vida.

Somando todas as salas imersivas, aonde só se entra em grupos de umas 15 pessoas, o tempo total das experiências em vídeos ultrapassa 80 minutos. Além disso, o visitante ainda pode brincar com o aplicativo do álbum Biophilia em vários tablets distribuídos numa mesa enorme. Antes de sair, uma sala repleta de pufes exibe um pot-pourri de vários clipes da carreira da cantora.

Essa passeio imersivo pela carreira da nossa islandesa preferida pode ir além se você resolver estudar Björk mais a fundo, frequentando o curso Björk: Paradigmas do Pós-Humanismo.exe, que acontece em julho no MIS, e sobre o qual já falei aqui.

BJÖRK DIGITAL
18 de junho a 18 de agosto
Terça a sábado, das 10h às 20h, domingos e feriados, das 10h às 19h
Ingressos: R$ 30 e R$ 15 (meia)
MIS (Av. Europa, 158, Jardim Europa, SP)

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Björk e Beyoncé são tema de cursos em São Paulo http://claudiaassef.blogosfera.uol.com.br/2019/06/08/bjork-e-beyonce-viram-tema-de-cursos-em-sao-paulo-na-semana-que-vem/ http://claudiaassef.blogosfera.uol.com.br/2019/06/08/bjork-e-beyonce-viram-tema-de-cursos-em-sao-paulo-na-semana-que-vem/#respond Sat, 08 Jun 2019 14:51:24 +0000 http://claudiaassef.blogosfera.uol.com.br/?p=594 Basta estar vivo para ser impactado pela música pop e seus desdobramentos. Muito além de transitar no nosso dia a dia, ícones dessa cultura são objetos de estudo em universidades e cursos fora do Brasil há algum tempo. Por aqui ainda não são tão comuns. Sobretudo quando se tem a oportunidade de “estudar”, na mesma semana, fenômenos como Björk e Beyoncé, duas gigantescas forças femininas do pop que, de certa forma, escolheram caminhos opostos, mas se encontraram na estratosfera das super-estrelas. 

Elas são tema de dois cursos que acontecem nas próximas semanas em São Paulo. Björk: Paradigmas do pós-humanismo.exe, ministrado pelo filósofo Alisson Prando, o curso explora tópicos relacionados à indústria cultural, à tecnocultura e à desterritorialização dos corpos em uma jornada tão pulsante quanto uma música de Björk, segundo o release.

Em quatro décadas de carreira, a islandesa desafiou o status quo musical ao se posicionar como uma artista transmídia que sempre denunciou a estrutura masculinista da indústria. Fascinada com o uso da tecnologia, Björk é aclamada pela crítica especializada por combinar diversos gêneros musicais, como música eletrônica, jazz, trip hop, folk e ethereal wave, mantendo-se eternamente inclassificável.

O curso é dividido em quatro encontros (Aula 1 | A construção do ícone pop, Aula 2 | Música e tecnocultura,  Aula 3 | Remixando Nietzsche: a contrassexualidade em Björk e Aula 4 | Constelações experimentais: artistas pós-Björk), com início no dia 11 de julho, no Museu da Imagem e do Som. O valor total do investimento é R$ 120 e ainda há vagas disponíveis aqui. Um esquenta perfeito para a exposição sobre a vida e a obra da islandesa, que entra em cartaz no MIS ainda neste mês de junho (18).

POLITIZANDO BEYONCÉ

A cantora mais pop do universo, Beyoncé também é objeto de um curso em São Paulo. Gratuito, Politizando Beyoncé acontece no sábado (15), no Sesc Pompéia, e nasceu de um projeto criado pelo filósofo e pesquisador Alisson Prando, o mesmo do curso da Björk, com a finalidade de pensar filosofia feminista e estudos de mídia. Nesta edição ele está acompanhado da educadora social Mayra Ribeiro e do professor de história da África e do Brasil Allan da Rosa.

Beyoncé já vem sendo objeto de estudo em universidades ao redor do mundo, inclusive em Harvard. Partindo do pressuposto de que a cultura pop funciona como espelho social e político do mundo contemporâneo, “Politizando Beyoncé: raça, gênero e sexualidade” analisa a estética da artista, trazendo para reflexão tópicos relacionados à indústria cultural, à dinâmica do espetáculo e ao entretenimento, conectando-os com as clivagens raciais, de gênero e de sexualidade.

Politizando Beyoncé: raça, gênero e sexualidade x Educação Plural
Sábado, 15 de junho, das 15h às 18h
Local: Oficinas de Criatividade
Classificação indicativa: Livre
Atividade Gratuita | Retirada de senha com 1 hora de antecedência na Loja Sesc
Sesc Pompeia – Rua Clélia, 93, São Paulo
Tel. 11 38717700

Björk: Paradigmas do pós-humanismo.exe
11, 16, 18 e 23 de julho, das 19h às 22h
Auditório LABMIS
Av. Europa, 158, Jd. Europa
R$ 120

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Galeria Olido vai reunir DJs, VJs, vogue, bailes e dancehall em junho http://claudiaassef.blogosfera.uol.com.br/2019/05/29/galeria-olido-vai-reunir-djs-de-black-techno-vjs-e-dancehall-em-junho/ http://claudiaassef.blogosfera.uol.com.br/2019/05/29/galeria-olido-vai-reunir-djs-de-black-techno-vjs-e-dancehall-em-junho/#respond Wed, 29 May 2019 23:37:19 +0000 http://claudiaassef.blogosfera.uol.com.br/?p=571 Uns dois meses atrás contei em primeira mão nesta coluna que recebi um convite para coordenar o Centro Cultural Olido e ajudar a transformar o lugar num centro de DJs, novas mídias e danças urbanas. Eis que, agora em junho, estreamos essa programação em esquema de soft opening, já que ainda não foram feitas mudanças visíveis na estrutura física, mas alterações profundas na programação já serão sentidas e mostrarão bem os rumos que o local irá seguir.

Já no primeiro dia do mê,s a Vitrine da Dança, espaço que fica numa esquinas mais movimentadas da cidade, a da ruas São João com a Dom José de Barros, endereço lendário para o hip hop e para as danças urbanas, recebe o Baile do Mister Sam, um dos DJs que ajudaram a estreitar as relações da disco music com o pop. Responsável por ter descoberto e lapidado em estúdio o talento de Gretchen, entre outros sucessos do pop dançante (de Tremendo a Black Juniors), Sam foi um importante garimpeiro de sucessos para gravadoras como a Copacabana, e lançou mais de 30 compilações carregando seu rosto e sua assinatura na capa. Também no dia 1, a pomposa Sala Olido recebe o folk urbano do cantor e compositor Renato Godá e sua banda. No dia 2, tem Jam Olido, encontrão de dança urbana liderado pelo multiartista Frank Ejara. Na terça, dia 4, tem Hip Hop na Vitrine, com a Muca MC, o rapper Magnus 44 e o DJ campeão mundial do DMC Erick Jay.

A dança Vogue vai preencher os corredores da Galeria Olido no dia 8 de junho. Foto: Verônica Vieira

No sábado, dia 8, tem bailes pra todas as idades; na Vitrine da Dança tem Sabadão Olido com Baile Nostalgia, enquanto nos corredores da galeria vai rolar o Ball Kiki House of Mutatis, encontro de dança Vogue com mostras de dança, batalhas e discussões sobre diversidade sexual, saúde, negritude e gênero. Criada nos EUA nos anos 80, a dança Vogue ganhou popularidade com Madonna nos anos 90 e tem conquistado cada vez mais adeptos no Brasil, especialmente nas periferias.

No Dia dos Namorados, 12 de junho, quem vai comandar o baile é o DJ Marky, tocando uma seleção de lentas para quem quiser dançar agarradinho com seu crush. Marky vai tocar pela primeira vez em muitos anos as love songs que incluía nos seus sets nos primórdios da carreira, nos anos 90, quando ainda era quase obrigatório rolar uma sessão de lentas nos clubs.

Na quinta, dia 13, acontece a estreia da Live Olido, uma noite que pretende promover a fusão das linguagens da música e das artes visuais, com show do produtor Psilosamples e do VJ Suave. No dia 14, tem Happy Hour Olido na Vitrine da Dança com os DJs Charles Team e Tony Hits, mandando o melhor do samba-rock, gênero que traz no DNA os primórdios da discotecagem em São Paulo. No dia seguinte, é a vez da rainha do dancehall Lei di Dai trazer seu show alto atral, com direito a aula de dancehall, para o Sabadão Olido, que acontece na Vitrine da Dança.

A rainha do Dancehall Lei di Dai se apresenta no Sabadão Olido no dia 15 de junho

O domingo 16 de junho vai entrar para a história da cidade com a presença ilustre dos DJs pioneiros do Brasil, seu Osvaldo Pereira, primeiro DJ do país, que começou a comandar bailes em 1958 e segue na ativa ativa até hoje, e a musa de todas as DJs, Sonia Abreu, a primeira mulher a iniciar no ofício, em 1964. Será uma tarde histórica.

Sonia Abreu e Seu Osvaldo Pereira, DJs pioneiros no Brasil farão apresentação na Vitrine da Dança

No Happy Hour Olido do dia 21 de junho tem mais um mestre jedi dos DJs tocando de graça para a galera: DJ Nuts e sua maravilhosa coleção de hits brasileiros que talvez você nunca tenha ouvido, mas com certeza vai amar.  No dia seguinte, sábado, a Vitrine recebe o campeonato de DJs Soco na Gangrena, e no Cine Olido tem exibição da série documental História Secreta do Pop Brasileiro, dirigida por André Barcinski, seguida de show com a banda Os Carbonos. 

Na quinta-feira seguinte (27) tem mais Live Olido, desta vez com a turma da Roda de Sample e suas muitas experimentações que irão ocupar a Sala Olido. Na sexta (28), é a vez do Happy Hour receber as meninas da festa House of Divas, e sábado a Vitrine da Dança vai ferver com o crew da Coletividade Namíbia. Na sala Paissandu, nos dias 28, 29 e 30 tem espetáculo de dança O Último Dia, de Henrique Lima. Confira abaixo as datas e horários da Olido em junho e vem dançar com a gente.

JUNHO NO CENTRO CULTURAL OLIDO

Sábado, 1/6, 16h – Sabadão Olido com Baile do Mister Sam (Vitrine da Dança) – Grátis
Sábado, 1/6, 20h – Renato Godá (Sala Olido) – R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)
Domingo, 2/6, 15h – Jam Olido (Vitrine da Dança) – Grátis
Terça, 4/6, 18h – Hip Hop na Vitrine com Muka MC, Magnus 44 e DJ Erick Jay (Vitrine da Dança) – Grátis
Sexta, 7/6, 18h – Happy Hour Olido com Baile do Batuca (Vitrine da Dança) – Grátis
Sábado, 8/6, 13h, aula de capoeira (Vitrine da Dança) – Grátis
Sábado, 8/6, 15h, Sabadão Olido com Baile Nostalgia (Vitrine da Dança) – Grátis
Sábado, 8/6, 16h, Ball Kiki House of Mutatis (corredores da Olido) – Grátis
Quarta, 12/6, 18h, Baile do Dia dos Namorados com DJ Marky (Vitrine da Dança) – Grátis
Quinta, 13/6, 20h, Live Olido com Psilosamples e VJ Suave (Sala Olido) – Grátis
Sexta, 14/6, 18h, Happy Hour Olido convida Festa do Vinil com Tony Hits e DJ Charles Team (Vitrine da Dança) – Grátis
Sábado, 15/6, 18h, Sabadão Olido com Lei Di Dai (Vitrine da Dança) – Grátis
Sábado, 15/6, 21h, Palavras Gestuais com Denise Stoklos (Sala Olido) – Grátis
Sábado, 16/6, 13h, aula de capoeira (Vitrine da Dança) – Grátis
Domingo, 16/6, 14h, Pioneiros: DJs Seu Osvaldo Pereira e Sonia Abreu (Vitrine da Dança) – Grátis
Segunda, 17/6, 20h, Panorama: arte na periferia 10 anos (Cine Olido), Grátis
Sexta, 21/6, 18h, Happy Hour Olido com DJ Nuts (Vitrine da Dança) – Grátis
Sábado, 22/6, 14h, Sabadão Olido com Soco na Gangrena Batalha de DJs (Vitrine da Dança) – Grátis
Sábado, 22/6, 15h Festival In-Edit com A História Secreta do Pop Brasileiro – Grátis
Sábado, 22/6, 19h30, Festival In-Edit com show Os Carbonos (Sala Olido) – Grátis
Domingo, 23/6, 15h, Baile Nostalgia (Vitrine da Dança) – Grátis
Segunda, 24/6, 20h, curtas de skate (Cine Olido) – Grátis
Quinta, 27/6, 20h, Live Olido com Roda de Sample (Sala Olido) – Grátis
Sexta, 28/6, 20h, O Último Dia, de Henrique Lima, Dir. Diogo Granato (Sala Paissandu) – Grátis
Sexta, 28/6, 20h, Happy Hour Olido com House of Divas (Vitrine da Dança) – Grátis
Sábado, 29/6, 18h, Sabadão Olido com Coletividade Namíbia (Vitrine da Dança) – Grátis
Sábado, 29/6, O Último Dia, de Henrique Lima, Dir. Diogo Granato (Sala Paissandu) – Grátis
Domingo, 30/6, O Último Dia, de Henrique Lima, Dir. Diogo Granato (Sala Paissandu) – Grátis

PROGRAMAÇÃO COMPLETA DO CINE OLIDO NO SITE DA SP CINE

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Por que gastar dinheiro com a Virada Cultural faz todo sentido http://claudiaassef.blogosfera.uol.com.br/2019/05/21/por-que-gastar-tanto-com-a-virada-cultural-faz-todo-sentido/ http://claudiaassef.blogosfera.uol.com.br/2019/05/21/por-que-gastar-tanto-com-a-virada-cultural-faz-todo-sentido/#respond Tue, 21 May 2019 22:10:06 +0000 http://claudiaassef.blogosfera.uol.com.br/?p=557 Aconteceu no último final de semana a 15a edição da Virada Cultural de São Paulo. Reuniu mais 5 milhões de pessoas (2 milhões a mais que no ano passado) e foi a maior virada já realizada na cidade. Os artistas mais vistos foram Anitta e Criolo (assistidos por 200 mil pessoas cada um) e Caetano Veloso (visto por 160 mil). A PM registrou 43 ocorrências.

Esses dados você já leu por aí, mas queria ir além de dados mensuráveis e falar da importância de um evento como esse nesse momento no Brasil, quando a Cultura perdeu até seu ministério e os artistas ganharam fama de usurpadores de leis de incentivo. A começar pela fala oficial sobre o evento, de que se trata de um evento pensando como “a virada da diversidade”, segundo o prefeito Bruno Covas, até o conteúdo das atrações (foram 1.200 no total), a Virada de 2019 foi a mais importante, politicamente falando, até hoje. E vou listar alguns fatores que provam isso.

DIVERSIDADE 

A curadoria da Virada, feita a muitas mãos, incluiu artistas dos mais diferentes backgrounds, gêneros, raças. Do sertanejo Lucas Lucco à Anitta, da diva drag Pabllo Vitar até Caetano, de Jane Duboc até Emicida, o leque foi amplo e agregador.

ECONOMIA CRIATIVA 

Segundo dados da SP Turis, houve crescimento do gasto médio de 60% na Virada 2019. Dos R$ 50 gastos em 2017, passou-se para R$ 81 este ano. Isso sem falar no número de visitantes de fora da cidade, que dobrou de 2017 para 2019 (saltaram de 11,4% para 23,7%).

RESGATE DA AUTO-ESTIMA 

Não precisa ser um cientista político para entender que São Paulo não esteve em sua melhor fase nos últimos anos. Convidar as pessoas para se divertir nas ruas, sejam do centro ou nas periferias, com atrações de peso, de graça, ajuda a resgatar aquele sentimento de pertencimento, de cidadania e de orgulho da cidade.

FESTAS PARA TODOS 

Foram muitos os palcos com festas de música eletrônica espalhados pela cidade. Apesar de ter sua própria virada, o evento de coletivos SP Na Rua, a Virada Cultural acertou em manter em alta a sua programação recheada de DJs e produtores que fazem da noite da cidade uma das mais interessantes do mundo.

SP 24 HORAS 

Uma das coisas mais legais é lembrar que a cidade de São Paulo continua se saindo bem quando entra no modo 24 horas party people. Durante a Virada, vários restaurantes e bares se animaram a virar a noite também, lembrando um pouco a cidade que onde já foi possível fazer uma bela refeição às quatro da manhã.

Essas são percepções minhas, de quem acompanhou tudo à distância, via instagram, já que estava no MecaInhotim, onde fui tocar. Mas acho que este post do meu amigo Camilo Rocha, DJ e jornalista do Nexo, resume bem o clima pra que estava lá.

Vi pessoas e mais pessoas. Elas são o maior espetáculo da Virada. Pessoas de todo tipo preenchendo o espaço público, gargalhando, fervendo, abraçando, aplaudindo, virando garrafa no gargalo, sendo quem queriam ser, exercendo o seu direito de usar a cidade. À noite, de madrugada, por todo o dia seguinte.

Numa cidade entregue à logica da grade e da guarita, faz bem demais ver esse mundaréu de gente indo e voltando, sem filtro, sem barreiras. Com poucas ocorrências, considerando o público de 4,6 milhões de pessoas, o evento demonstrou como a cultura pode influenciar positivamente uma cidade, deixando-a mais humana, democrática e segura. Ainda que só por 24 horas.

Essa é a grande vitória da Virada Cultural.

 

 

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